Entre 1933 e 1944, centenas de milhares de judeus atravessaram a Europa,
em fuga, até Portugal, a última porta para a liberdade. Despojados de
todos os bens, obrigados a abandonar as famílias, deixaram para trás não
só o seu país, mas também a sua identidade. Guiados pelas histórias
extraordinárias de Lolita, Ralph, Edmond e Rachel, entre outros,
testemunhamos as memórias, reconstruindo a viagem até Portugal. O que
sentiram, o que viveram, como lidaram com o que lhes era imposto, que
força era aquela que os fazia continuar, como se viam uns aos outros,
como conviviam com os portugueses, como partiram sem olhar para trás, e
em que medida a tragédia que viveram afetou o resto das suas vidas.
O
documentário traça uma história sobre o êxodo que fez milhões de judeus
deixarem Berlim e rumarem para sul, aquando da ascensão de Hitler.
Baseando-se nas memórias de alguns sobreviventes (hoje com cerca de
oitenta anos de idade) descreve os périplos de uma crise de refugiados
que encontrou (para mais de 100 mil) um porto seguro em Portugal, um
porto de esperança a caminho de um recomeço, enquanto circulavam
notícias do horror dos campos de concentração. Composto totalmente por
imagens de arquivo, recorda um período negro da história de Portugal e
da Europa, através do ponto de vista de alguns sobreviventes que
recordam o que presenciaram e viveram quando eram crianças e
adolescentes.
Antevendo os maus tempos que se avizinhavam, muitos
judeus deixaram Berlim, enquanto outros, não acreditando que a situação
política se deteriorasse, ali permaneceram até ser tarde demais. Hitler
desenvolve rapidamente uma ideologia antissemita e em simultâneo a
indústria bélica. Invade grande parte da Europa e estende a perseguição
aos judeus nos territórios que ocupa. Com a tomada de França, em 1940,
cai um bastião da liberdade. Três milhões de refugiados rumam a sul.
Nenhum judeu estava a salvo. Como conseguiram sobreviver? Em que
circunstâncias? Que viagem foram obrigados a fazer? Mais de cem mil
judeus tiveram uma coisa em comum: a sua passagem por Portugal onde
viveram em zonas de residência fixa. Portugal, um país conservador, sob a
ditadura de Salazar, acolheu uma grande população de Judeus refugiados,
o que causou grande impacto social no país. A partir de 1942 começaram a
circular rumores de histórias de horror sobre os campos de concentração
de Hitler onde era levado a cabo o homicídio em massa de judeus.
Portugal foi apenas um lugar temporário para os judeus que lutavam para
recomeçar as suas vidas com tudo o que isso implicava: vistos para novas
terras, meios de transporte, dinheiro, sobrevivência... Portugal foi um
enorme porto de esperança.

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